sábado, 30 de outubro de 2010





        Recentemente, tenho refletido muito sobre um conceito, encontrado no livro Conversando com Deus,    de Neale Donald Walsch: CONHECIMENTO- EXPERIÊNCIA- SER

No livro, esta seria a forma de expressão da Santíssima trindade, que é Deus. O Pai ( conhecimento, criador de todas as experiências), experimenta a realidade humana através do Filho(Experiência, encarnação de tudo que o Pai sabe sobre Ele mesmo). Na soma do conhecimento com a experiência, surge o SER, em sua plenitude, que seria a manifestação do Deus-Espírito Santo, possibilitada pelas experiências do Filho sobre todo o conhecimento do Pai. Uma colocação tão rica e plena de significados...

Na Pedagogia da sala de aula, a construção do conhecimento deve acontecer de forma a produzir o envolvimento do aprendiz com o conteúdo, objeto do ensino, promovendo uma relação de descoberta, uma simbiose que caminhe para o desenvolvimento de novos esquemas mentais, novas adaptações, a fim de que se agregue o “novo” ao já “sabido” e, por conseguinte, promova a transformação, do sujeito dessa aprendizagem, em alguém diferente do que era antes.

A beleza dessa transformação, revela-se na aquisição, pelo aprendiz, de uma nova visão sobre o conteúdo estudado e, com isto, uma capacidade ampliada para desvendar/ler/traduzir aquele assunto, não só enquanto conhecimento que lhe é apresentado pronto, já pensado por alguém, mas, também, na capacidade que o mesmo passa a ter de acrescentar-lhe um novo olhar, diferentes leituras, que ultrapassem o ponto final do currículo obrigatório, projetando aquele assunto sobre a sua vida, suas experiências e a sociedade na qual está inserido. A partir desse ponto, o conhecimento passa a transformar, verdadeiramente, o aprendiz, facilitando sua caminhada rumo ao vir a tornar-se, vir a SER.

Mas, e na Pedagogia da Vida? Coloco, aqui, Vida em maiúscula, para realçar o sentido maior da palavra. Essa é a parte mais importante, mais reveladora, mais sublime dessa trindade CONHECIMENTO-EXPERIÊNCIA-SER, porque promove, provoca, resvala em todas as outras áreas de nossa existência, principalmente da Educação.

Quem sou eu? O que devo realizar em minha experiência de vida? Qual o propósito por detrás de tudo? Essas são perguntas que, tenho certeza, muitos já se fizeram ou irão, ainda, se fazer. Uma inquietação que nos encontra, às vezes, sem aviso prévio, quando nos percebemos cansados pela rotina da simples sobrevivência. Outras vezes, essas são perguntas feitas na urgência por respostas que nos tirem de um período conhecido como a “noite escura de nossa alma”. Urgência de que se acenda um clarão, capaz de iluminar “a mina escura e funda, o trem da (nossa) vida”.

Somos seres históricos-sociais, aprendemos em sociedade, pela apropriação da cultura na qual estamos inseridos. Somos frágeis ao nascermos, porque nosso desenvolvimento ainda não está completo. Precisamos de cuidados, nutrição e, principalmente, de afeto, para que nosso corpo e suas estruturas se desenvolvam sadiamente. A partir daí, passamos, estimulados pelo meio, a nos desenvolvermos, fortemente influenciados pelos costumes da sociedade à qual pertencemos.

Todo o CONHECIMENTO adquirido, vem do outro. Tal conhecimento pode nos levar a ter boas ou más EXPERIÊNCIAS. Assim é na escola, assim é na vida. O que me causa grande inquietação, é o quanto as experiências do outro podem ser mais felizes, mais fáceis, se aquele que atravessa o seu caminho, sua existência, seja como genitor, provedor, educador, parente, amigo, etc, tiver entendido a lógica, melhor, o poder inserido em CONHECIMENTO-EXPERIÊNCIA-SER.

Alguma vez, em sua vida, já se deparou com pessoas, as quais teriam grande poder transformador em sua experiência, poder de facilitar sobremaneira sua caminhada, acender forte clarão em suas dúvidas, sem que para isso nada lhes custasse, de nada teriam que se dispor, a não ser de um olhar sensível, uma fala esclarecedora, tão pouca, tão pequena perto do conhecimento que já adquiriram, mas, mesmo assim, tão importante e curadora, para o momento especial que você vivia? Na maioria da vezes, o que acontece é que, percebendo-se em alguém a curiosidade pelas respostas, grande vontade em desenvolver-se, seja pessoal ou profissionalmente, uma das duas situações se apresenta: a primeira, seria uma na qual aquele que detém mais informação ou recurso, envaidece-se com o que já construiu e, em uma postura silenciosamente egocêntrica, ignora a busca do outro, negando-lhe a atenção das respostas. Uma segunda situação, muito comum, é aquela onde o teoricamente “mais preparado”, insensível, não percebe o encontro que a vida provoca, entre um possível mestre e um possível aprendiz, temendo que aquele que busca possa, talvez, revelar-se uma ameaça à manutenção do seu status quo. Na minha busca por resposta, a maior generosidade que já encontrei, estava nos livros.

Nas relações do nosso dia-a-dia, o que mais fazemos é julgar o outro, rotular, escalonar, separar, pré-julgar. Porque não nos entendemos como parte de uma mesma experiência: vivemos sob o mesmo céu, com as mesmas necessidades, seja de afeto, nutrição, conhecimento, aceitação...Em nossa essência, somos iguais. Preciso me enxergar no outro. Assim como perceber o quanto o outro faz parte de mim. Nele está uma extensão de minha essência, que anseia, que teme, que ama, que deseja a felicidade, tanto quanto eu e você, em nossa individualidade, desejamos. Nossas experiências nos levam por caminhos diferentes, diferentes escolhas, porém, a nossa meta é, independente de, se ricos ou pobres, chefes ou empregados, mestres ou aprendizes, virmos a SER! Sermos o potencial que trazemos, como herança, de nossa origem. Somos partes de um todo, que é a humanidade, somos capazes de realizar, modificar e refazer a cultura e a história desse planeta e dessa raça. Ninguém pode vir a SER, a menos que entenda que é repartindo o conhecimento que se cresce, é ensinando que se aprende. Essa é a lógica implícita nas relações humanas: ao abrir caminho para o que chega, eu me torno mais capaz para dar meu próximo passo rumo ao meu desenvolvimento pessoal, porque nessa troca, nesse encontro das necessidades, do que sabe mais para o que ainda precisa descobrir, é que crescemos, verdadeiramente e praticamos a alquimia da vida.

Na verdade, em nós, já existe tudo o que necessitamos para que deslizemos por essa grande experiência de aprendizado que é existir. Então, o olhar correto para com o outro seria aquele no qual eu perceba, nele, os seus potenciais adormecidos. Se eu promovo, incentivo, mostro caminhos, provoco o crescimento do outro, estou fazendo isso, instantaneamente, para mim mesma. Aos poucos, o meu conhecimento passa a ser, também, do outro. E essa experiência de transferir o conhecimento, me fará maior do que eu era antes de transferi-lo, terei chegado mais perto de vir a SER.

“O verdadeiro líder,é aquele que forma mais líderes... o verdadeiro mestre, é aquele que forma mais mestres”. Pensemos nisso e não nos apequenemos.

Lílian Baroni
DE PURA INTENÇÃO
Uma aprendiz de vir a Ser...


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